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segunda-feira, 23 de março de 2009

Ensaio Sobre a Cegueira (Blindness, 2008)


José Saramago não mentiu quando disse que "o cinema destrói a imaginação". O autor português deste ganhador do Nobel de Literatura foi resistente em não ceder sua criação para o cinema. Obviamente, ele não quis que sua obra se transformasse em uma adaptação grotesca, como acontece frequentemente. Não é agradável ao leitor ver imagens criadas por outra pessoa, quando em suas mentes já haviam imagens de como seria todo o desenrolar; ou seja, tudo seria substituído por uma "realidade filmada".
Mas, não vamos negar, é muito tentador ver como seria o choque de duas realidades tão diferentes: A realidade textual e a realidade visual.
Ainda mais com um diretor que não teme estilo e sabe como usá-lo, como Fernando Meirelles . Assim, prefiro acreditar que esse foi o motivo pelo qual Saramago finalmente cedeu: A desafiante cena de ver um grande talento mostrando sua visão particular de uma história já existente.

Ensaio Sobre a Cegueira aparenta ser o fruto de muitas conversas de como seria apresentar e encenar a cegueira para um público singular, o público que enxerga.

A trama narra uma inexplicável (ou até mesmo explicável) epidemia de cegueira que se alastra por determinada cidade que em momento algum é identificada.
Todos os personagens, inclusive nós mesmos, somos transportados para um ambiente claustrofóbico, regado à superexposição e tons dessaturados, que cada vez mais, dão sensíveis detalhes à tudo ao redor. Por fim, caem ao escuro de uma metrópole de todos e ninguém, desabados ao fundo negro de algo desconhecido.

A cidade, palco desta obra, leva diversos elementos para "confundir" o espectador. Como bom conhecedor, soube que era São Paulo... Mas em São Paulo não há táxis como os apresentados. Tá, e daí, as placas são de modelo brasileiro! Sim, elas são, mas as viaturas e ambulâncias daqui não levam adesivos escritos em língua inglesa.
Por este trecho, você pode perceber o quão envolvente torna-se o filme. É lá, mas não é lá... Pode ser em qualquer lugar, ou em todo o lugar.

O filme não seguiu alguns detalhes, como por exemplo os que percebi, sobre a podridão e a sujeira. Claro que ninguém escancararia tantos excrementos e podridão em um filme, nisso eu até concordo. E tenho que concordar, também, que o que foi apresentado foi suficiente para dar certos e pequenos nós nas gargantas. Então, tudo certo.

A direção de Meirelles, como já disse, foi muito boa. Junte com a soberba fotografia de César Charlone (que além dos dois últimos filmes de Meirelles, fez também O Banheiro do Papa) e a edição irretocável de Daniel Rezende.
Obtenha o que temos hoje. Blindness.

À todos recomendo o textual e depois o visual.
Ler "Ensaio Sobre a Cegueira" é indispensável, tanto quanto assistir o seu filme.