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sexta-feira, 25 de maio de 2012

Como um tolo magoado, perdido e cego


Finalmente;
Acabou toda a história.
Acabou todo o sofrimento.
Acabou toda a mentira.
Cansei de fantasiar uma vida perfeita que existia nos meus planos.
Cansei, de uma vez por todas, de lembrar como a infância foi difícil.
Achei que fosse passar, achei que fosse passageiro; mas não passou.
Foi difícil crescer sem saber quem eu era e, quando achei que tinha descoberto, pensei:
“Eu sou?”
Se eu for, ninguém vai saber, não darei uma só brecha – nada.
Eu tive medo.
Eu tive medo de ser julgado pelas pessoas, pelos meus amigos, por Deus.
Eu não tive ninguém para me abraçar e dizer que tudo ficaria bem.
Mas não consegui, era mais forte que a minha própria força de vontade – era eu.
Não consegui me esconder, eu juro, eu juro que eu tentei de tudo.
Então eu passei a me aceitar como eu era, e a vida pareceu ficar mais fácil que antes, pois eu estava começando a entender como é estar pleno consigo mesmo. E foi descobrindo isso que eu, mais uma vez, me desapontei quando descobri, também, que as pessoas não entendiam o que se passava comigo. Não entendiam o que significava essa minha transformação e eu percebi que eu poderia ser detestado.
Mas não adiantou, não adiantou.
Eu passei a procurar alguma referência, algum modelo, mas não encontrei.
A única coisa que vi foi a escuridão, então decidi ficar recluso.
Fiquei recluso por anos, ainda preso na dúvida que devorava o meu corpo.
Hoje eu vivo no meio-fio, entre a vida solitária da minha floresta encantada e a vida que construí fora dela.
Hoje eu posso dizer que eu dou valor a mim mesmo.
Hoje eu quero dizer que eu amo a mim mesmo.
Queria me desculpar a mim mesmo por ter sido tão ignorante e não ter visto que eu sou tão igual aos outros quanto os outros são iguais a mim.
Hoje eu sei quem eu sou e, acima de tudo, tenho orgulho disso.
Já não me importo se eu não tive um modelo a seguir, pois assim eu sei que eu fui e sou eu mesmo o tempo todo.
E, sendo assim, eu continuarei sendo quem sou.
Considerando isso, hoje eu me conheço, hoje sei quem eu sou.
E sei que assumir, de uma vez por todas, a minha natureza sexual a mim mesmo foi a maior decisão que tomei até hoje.
Finalmente.

Ah!, não, acabei falando demais...

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